A morte do andar
Lá seguia ele como farrapo humano cambaleando pela vida a procura de algo que não sabia o que era... já que não via, nem imaginava a existência de um novo início.
Às vezes não percebemos as muitas mortes que acontecem durante nossos dias... Sabemos, apesar de permanecer oculto, que vida e morte estão intrínsecas a nós, inscritas no nosso íntimo.
Falo hoje da morte da esperança que é a mais derradeira morte, aquela que aniquila quem desejamos ser e para onde almejamos ir...
Quando ocorre a morte dentro da vida é a ida para outro tipo de vida. Mesmo que só percebemos a morte como degeneração do corpo, ausência presente, aprendizado constante, receio evidente... Não resgatamos, ou nos permitimos ver os aprendizados dessa andança.
Já a morte da esperança nos remete a perder parte da alma. Amortecer, adulterar. É a mazela inscrita, a gangrena, a necrose presente. A não direção. Quando a vista falha, o passo trava e impede de seguir adiante.
As ilusões morrem para nascer de outra maneira, diferentes, modificadas, mas a esperança. Ah! A esperança é morrer nossa raiz, morrer o fio que nos liga a vida, o continuar da caminhada. É a morte do próprio andar...
Que um feixe de luz, se faça presente, para resgatar a esperança e os nossos passos nesse longínquo percorrer e que possa abrigar a vida que a esperança contém...
E assim, nutrido de espera, resgatou sua fé...
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